
A oitava temporada de Homeland coloca Carrie Mathison em um Cabul reconstituído com um realismo perturbador. As ruas empoeiradas, os postos de controle, os bazares: cada plano parece captado no solo afegão. As filmagens ocorreram no Marrocos, principalmente em Rabat, Salé, Casablanca e nos estúdios de Ouarzazate.
Esse descompasso entre o país mostrado e o país filmado questiona os efeitos dessa substituição geográfica repetida na percepção dessas duas nações.
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Rabat, Salé, Casablanca e Ouarzazate: mapeamento preciso dos locais de filmagem da temporada 8 de Homeland
A produção distribuiu seus cenários em várias cidades marroquinas de acordo com as necessidades narrativas. As cenas urbanas de Cabul (ruas estreitas, telhados planos, mercados) foram filmadas na medina de Salé e em alguns bairros de Rabat, cujos edifícios e topografia ofereciam uma proximidade visual imediata com a capital afegã.
Casablanca serviu como base logística e local para sequências internas. Para as cenas que exigiam controle total (explosões, combates, cenários governamentais reconstituídos), a produção se instalou nos estúdios de Ouarzazate, já acostumados a esse tipo de filmagem há várias décadas.
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Um artigo detalha precisamente onde se encontra o local de filmagem da temporada 8 de Homeland e as razões que orientaram a escolha pelo Marrocos em vez de outros países da região.
| Local de filmagem | Uso na série | O que o espectador vê na tela |
|---|---|---|
| Salé (medina) | Ruas, bazares, cenas externas | Bairros populares de Cabul |
| Rabat | Edifícios administrativos, telhados | Áreas governamentais afegãs |
| Casablanca | Interiores, logística | Escritórios, cenas em espaço fechado |
| Estúdios de Ouarzazate | Explosões, sequências de guerra, cenários controlados | Áreas de conflito, edifícios oficiais |

Substituição geográfica: como o Marrocos se torna o Afeganistão aos olhos do público
O Marrocos duplica o Afeganistão em Homeland, mas não é um caso isolado. Os estúdios de Ouarzazate e as cidades do norte do país recebem regularmente produções ocidentais que situam sua ação no Oriente Médio ou na Ásia Central. Esse fenômeno merece ser analisado, pois molda representações duradouras.
Um atalho visual que confunde duas identidades
Para o espectador médio, as imagens da temporada 8 de Homeland se tornam sua referência mental de Cabul. As ruas de Salé, as paredes ocre de Rabat, os céus do Haouz acabam por representar o Afeganistão no imaginário coletivo. O Marrocos se torna um cenário intercambiável para qualquer país em conflito da região, o que achatam a diversidade arquitetônica, cultural e humana dos dois países.
O Afeganistão possui uma geografia e um tecido urbano distintos do Marrocos: alta altitude, construções em adobe específicas, vegetação de planalto. Essas diferenças desaparecem na reconstituição. Em contrapartida, a produção ganha em segurança e controle logístico o que perde em autenticidade documental.
Lado marroquino, uma ambivalência econômica e cultural
Para os técnicos marroquinos do cinema, essas filmagens representam uma fonte de renda e um aumento regular de habilidades. As equipes locais dominam a gestão de figurantes, a construção de cenários efêmeros e a coordenação com as autoridades. O Centro Cinematográfico Marroquino apoia essas produções, que ajudam a posicionar o país como um hub de filmagens internacional.
A contrapartida é menos visível, mas real:
- Os moradores dos bairros filmados veem seu ambiente temporariamente transformado em uma zona de guerra fictícia, com veículos militares, falsos postos de controle e destroços cenográficos
- A recorrência desses papéis de dublê para países em conflito pode reduzir a imagem do Marrocos à de um simples terreno de substituição, apagando sua própria identidade cinematográfica
- Os técnicos locais desenvolvem uma expertise apurada, mas em um registro estreito, o da reconstituição de zonas de guerra

Por que filmar no Afeganistão era impossível para a temporada 8 de Homeland
A instabilidade de segurança no Afeganistão e no Paquistão tornava a filmagem inviável para uma produção dessa magnitude, exibida no Showtime. Os seguros necessários para cobrir uma equipe técnica completa nessas áreas não eram obtidos em condições aceitáveis.
O Marrocos atendia a todas as restrições simultaneamente:
- Infraestruturas de produção já em funcionamento (estúdios, equipamentos, equipes treinadas)
- Clima e luz próximos aos da Ásia Central para as cenas externas
- Quadro regulatório favorável à filmagem estrangeira, com um apoio institucional experiente
- Proximidade geográfica com a Europa, simplificando a logística para uma produção americana com componente europeu
Esse cálculo pragmático explica por que Ouarzazate se tornou o principal local de filmagem para ficções situadas em zonas de conflito. A cidade recebeu dezenas de produções internacionais baseadas no mesmo princípio de substituição.
Homeland temporada 8 e a questão do realismo nas séries de espionagem
A última temporada de Homeland encerra o arco de Carrie Mathison ao devolvê-la ao terreno afegão, onde tudo começou com Brody e as primeiras temporadas. A escolha de filmar no Marrocos em vez de recorrer massivamente a efeitos digitais traduz uma vontade de manter uma textura documental. As cenas de rua, as interações com figurantes locais, a luz natural: tudo contribui para um realismo que a pós-produção sozinha não pode reproduzir.
O resultado visual é convincente para a maioria dos espectadores. As críticas da temporada 8 raramente questionaram a credibilidade dos cenários. Essa constatação diz algo sobre os limites do nosso olhar: a maioria dos telespectadores ocidentais não tem uma referência visual direta de Cabul para comparar.
Essa eficácia também repousa sobre o trabalho das equipes de direção de arte, que reconfiguraram edifícios marroquinos adicionando placas em dari, cartazes eleitorais fictícios e mobiliário urbano específico. A reconstituição mistura arquitetura real e vestuário cenográfico, um procedimento comum, mas raramente tão aprofundado quanto nesta última temporada.
O Marrocos permanece, para os produtores de séries e filmes, a escolha padrão quando um roteiro exige um cenário do Oriente Médio ou da Ásia Central. Essa substituição se baseia em vantagens industriais sólidas, mas deixa na sombra as disparidades reais entre os países dublados e o país que empresta seus cenários.